No colegial, convivi com um amigo de classe com quem trocava idéias sobre diversos assuntos de adolescente, matérias de escola e também Astrologia. Era a fase de mapas desenhados a mão e escritos em folha de almaço, quando não, datilografado na imponente Olivetti College do meu irmão mais velho para os mapas das cobaias que todo estudante de astrologia tem antes de começar a fazer consultas.
O tal amigo tentava desenvolver sua fé através do Evangelho, que frequentava semanalmente com sua mãe, espírita kardecista. Por alguns dias daquele período entre 1994 e 1996, ouvi dele que, o fato de saber da existência dos planetas, dos signos e de algo que ele poderia ver ou identificar a existência, dava mais certeza de que Astrologia existia. Mas não tinha comprovação de nada quando se falava em Deus. Logo, ele entendia que, se algo poderia ser divino, esse algo seria Astrologia.
No conceito dele, algo que existe, com alguma força cósmica material presente (como os planetas) e perto da Terra que vivemos teria todo o sentido em influenciar nosso destino. Recentemente, uma amiga do interior do Rio Grande do Sul comentou algo semelhante. Me disse que era cética e que não via justiça divina nas coisas que nos cercavam. Assumia o ateísmo sem o menor contrangimento, porém ressaltava a Astrologia da mesma maneira que o amigo da adolescência ressaltava: “Os Astros existem , estão perto, e se vocês Astrólogos notam as evidências deles, certamente alguma coisa os signos e planetas devem fazer na gente.” Foram as palavras dela.
Outras pessoas, entre a época que convivi com Wellington e Melissa, nome dos amigos em questão, apareceram em minha vida com o conceito”Astrologia existe, Deus não”, ou “influências de algo que posso ver, pode acontecer, mas de Deus e de religiões não tem fundamento”, a ponto de, em uma das ocasiões de consulta, uma jovem indagar se esses “poderes dos astrólogos” não seriam grandes demais sobre as pessoas.
Tudo isso me faz refletir sobre o risco de algumas poucas pessoas, mesmo as não céticas, considerarem o Astrólogo um Deus ao invés de um “porta voz divino”. A Astrologia, para algumas pessoas, pode ser um suplemento alimentar de fé, no sentido de crer que algo exista, mesmo que tais pessoas neguem a existência de Deus. Portanto, nossa responsabilidade pode ser maior do que imaginamos. O Astrólogo, em função disso, tem a necessidade de cuidado para não agir como um Deus inventado aos olhos do cliente a sua frente. Talvez, no máximo, ser uma espécie de anjo da guarda, sabendo ter o bom senso do que falar, de como agir, mas acima de tudo, de como representar bem, um conhecimento que, por mais divino que seja, nos faz apenas meros servos do divino.
Astrólogo Consultor da AstroBrasil® desde Setembro de 2004. Iniciou os estudos de Astrologia no final de 1988. De 1992 a 1993 estudou na Escola GEA (Grupos de Estudos de Astrologia) em São Paulo com Clene Sales, Elizabeth Friederich e Sueli Zuppo. Também participou de cursos entre 1993 e 1994 com o Astrólogo paulista José Carlos Monteiro no Espaço Alternativo Divino Ser. Trabalha com Astrologia desde 1992, quando iniciou atendimento à adolescentes. Presta assessoria Astrológica para profissionais de Psicologia e Terapias desde 1993 utilizando o mapa astral como instrumento de diagnóstico para Terapeutas e Psicólogos no auxílio das características dos clientes ...
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